Dia 8 de agosto é a data no Brasil marcada para lembrar da importância de se ter um controle adequado da medida do colesterol no sangue e em Marília os cardiologistas estarão mais uma vez lembrando isso à população.
Segundo o cardiologista João Braga chefe da disciplina de Cardiologia da FAMEMA o conhecimento que o colesterol elevado e mesmo a ingestão de comidas gordurosas estariam relacionados a uma maior prevalência de doença cardiovasculares está fazendo 100 anos. Em 1908 um cientista russo alimentou coelhos com dieta a base de ovos e descobriu que esses animais desenvolviam um envelhecimento mais precoce das artérias. Em principio julgou que fosse devido às proteínas da clara e repetiu o experimento apenas com dieta com a clara. Somente 2 anos após é que concluiu que a gema rica em colesterol era a causa da doença.
Esse conhecimento ficou quase 50 anos sem qualquer valor prático.
Somente no inicio dos anos 50 que pesquisadores da importante Universidade de Harvard foram estudar o que acontecia com a população de uma cidade vizinha, Framigham, e voltaram às conclusões iniciais do russo.
Desde aquela época todos os habitantes dessa pequena cidade do nordeste americano tem sido checados e continuamente avaliados em relação à aterosclerose e seus possíveis fatores de risco. Desse formidável estudo epidemiológico é que saiu a maioria do conhecimento que se tem hoje das causas das principais doenças cardiovasculares, principalmente Infarto do Miocárdio e Derrame. Os pacientes de Framigham que tinham essas doenças apresentavam um ou mais dos fatores: história familiar, Diabetes, Hipertensão Arterial, Colesterol elevado, Tabagismo, Stress emocional, e vida sedentária.
Em relação ao colesterol o conhecimento inicial mostrou que o colesterol elevado era ruim, depois essa associação foi feita com as pessoas que tinham dieta a base de gorduras de origem animal. Mais recentemente a introdução de uma família de remédios que diminuía o colesterol sanguíneo, as Estatinas mostrou diminuir o colesterol, e a melhor notícia, estatisticamente diminuir a chance do individuo ter um evento cardiovascular.
Nos últimos anos ficou claro que havia 2 tipos de colesterol, o LDL o “mau” colesterol relacionado a doença e o HDL o “bom” colesterol com efeito protetor. Nesse período todas as diretrizes médicas privilegiaram a idéia que o importante era diminuir o colesterol ruim.
Mais recentemente observou-se que tão ou mais importante que isso era obter uma elevação do HDL, não bastava somente se concentrar no colesterol ruim.
Atualmente tem sido muito enfatizado a importância de alguns estudos da placa de aterosclerose e a observação daquilo que se chamou de placas “moles” e placas “duras”. Na verdade tudo depende da composição da placa em relação aos componentes: lipídico (gordura), e fibrose e calcificação (tecido de cicatrização). As placas com maior composição de gordura são mais instáveis, tendem a romperem e a seguir facilitam a formação de coágulo obstruindo a luz do vaso e conseqüentemente levam ao infarto. Por outro lado as que têm maior composição de fibrose (cicatrização) e calcificação são mais duras e, por conseguinte mais estáveis e apresentam evolução mais favorável. Podem ficar anos sem maiores conseqüências para os seus portadores. São indivíduos que apesar da doença, permanecem vivos desafiando os prognósticos sombrios.
Sabe-se que quanto maior o LDL maior a chance de a placa ser mole ou instável daí a importância dessa fração lipídica. Mas sabe-se também que o HDL tem um efeito reverso retirando o colesterol ruim da placa, e isso pode ser fundamental, inclusive para regressão da placa.
A tendência atual é valorizar níveis mínimos ideais de HDL colesterol no plasma que para o homem seria 40 e para a mulher e os indivíduos diabéticos seria 50 mg/dl.
Ter uma alimentação adequada e a pratica regular de exercícios contribuem para se atingir essas metas, finalizou o médico.