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CARDIOLOGIA PEDIÁTRICA

  1. O que é uma doença congênita do coração? O coração é um orgão composto por 4 cavidades musculares, interligadas por 4 válvulas que direcionam o sangue por elas. As veias trazem o sangue para o coração e as artérias recebem o sangue bombeado pelo coração e o levam para os tecidos do nosso corpo. É durante a 4º e 12º semana de gestação que ocorre a formação do coração, e nesse período qualquer das partes mencionadas do coração pode desenvolver-se inapropriadamente.
  2. As doenças congênitas do coração são frequentes? Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada 1000 crianças nascidas vivas pelo menos 8 tem cardiopatia congênita. Na maioria das vezes não tem uma causa específica que determinou a doença, mas a exposição a alguns medicamentos pela mãe como anti-convulsivantes (fenitoina), medicações dermatológicas (isotretinoina) ou ainda para tratamento de depressão (lítio), o abuso de bebidas alcoólicas ou drogas, doenças como a diabetes e a rubéola durante os primeiros três meses da gestação podem aumentar o risco de malformações cardíacas congênitas.
  3. Quais os sintomas de uma doença cardíaca congênita? Sintomas como fadiga e sudorese durante a amamentação, respiração mais rápida, e cor azulada dos lábios geralmente estão associados a defeitos cardíacos significativos, devendo alertar aos pais a procurar o pediatra ou cardiologista. Na criança maior e no adolescente, cansaço aos esforços, dor no peito durante exercício ou palpitação intensa podem ser sinais da presença de cardiopatia. As crianças que nascem com defeitos cromossômicos como a síndrome de Down, ou com outras malformações congênitas não infrequentemente, podem vir com malformações no coração associados.
  4. O que é um sopro cardíaco? O sopro cardíaco e um extra som que pode ser ouvido ao se fazer a ausculta do coração. A maioria dos defeitos cardíacos estruturais causam o aparecimento de um sopro especifico, entretanto nem todo sopro é um sinal de que há um problema cardíaco. O tipo mais comum de sopro échamado de sopro inocente ou funcional, sendo produzido por um coração normal. Esse tipo de sopro pode surgir e desaparecer durante a infância, não constituindo-se  como uma ameaça a saúde da criança, permitindo então que ela possa praticar exercícios sem restrições. Alguns defeitos cardíacos presentes ao nascimento, podem inicialmente serem tão importantes, a ponto de causarem o aparecimento de um sopro. Devido a confusão que muitas vezes se estabelecem de que todos os sopros podem ser doenças graves, ou então que a presença de sopro não é nada importante, e fundamental que os pais dos bebes e crianças com diagnóstico de sopro cardíaco saibam que tipo de sopro seu filho tem, e se e necessário uma avaliação mais especializada.
  5. Quais os exames que devem ser realizados para afastar ou confirmar a presença de uma doença cardíaca congênita ? Esses exames são os mais utilizados para ajudar a determinar a exata natureza dos sintomas e do sopro .
    • Eletrocardiograma: exame realizado para observar o ritmo do coração, bem como evidenciar sinais do aumento de alguma câmara cardíaca.
    • RX de tórax: avalia as dimensões do coração, bem como os pulmões e o fluxo de sangue proveniente do coração para eles
    • Ecocardiograma color Doppler: e um exame indolor, que utiliza o ultra som para estudar a estrutura e função do coração. E´ muito importante que esse exame seja realizado por um médico experiente em bebes e crianças
    • Cateterismo cardíaco: exame realizado com anestesia geral, onde introduz-se tubos bem finos e flexíveis (cateteres) pelos vasos sangüineos, utilizando um aparelho de RX  para visualizar as câmaras cardíacas e  vasos, obtendo assim importantes informações das pressões dentro do coração, bem como da concentração de oxigênio no sangue.
  6. Podem os defeitos do coração  ser detectados na vida fetal? Nos últimos 25 anos houve um grande avanço nas imagens obtidas pelo ultra som durante a vida fetal, permitindo assim que muitos defeitos congênitos possam ser diagnosticados entre a 12º e 20º  semana de gestação. Para algumas mulheres com certos fatores de risco já anteriormente mencionados no item 2, tal exame pode ser recomendado pelo obstetra.
  7. Existe o risco de recorrência dentro da mesma família de uma doença congênita cardíaca? Em cada gravidez há um risco muito pequeno do coração não se desenvolver apropriadamente, e 1 a cada 100 bebes poderão ter um defeito que pode ser discreto/moderado ou grave.  Dentro da mesma família, se um parente mais próximo (mãe, pai, gêmeos) sabe-se portador de uma doença cardíaca congênita, o risco e um pouco mais elevado 5 a cada 100.
  8. Há outros tipos de problemas cardíacos que uma criança pode desenvolver, mesmo que ela não tenha nascido com um defeito cardíaco congênito? A maioria das doenças cardíacas adquiridas são decorrentes de doenças inflamatórias como: Febre Reumática (pode iniciar-se com amigdalite e dores articulares), Miocardite (infecção viral do coração);tais doenças no entanto, são mais raras.
  9.  Existe tratamento para as doenças cardíacas congênitas? Muitas crianças apresentam defeitos congênitos discretos, não sendo necessário qualquer tipo de tratamento. Por outro lado, a maioria dos defeitos que estejam ou possam causar prejuízo ao coração de um bebe ou uma criança podem ser tratadas com cirurgia ou procedimento por cateterismo cardíaco, e algumas vezes com medicamentos. Graças aos avanços nas técnicas cirúrgicas os  resultados tem sido muito bons, e muito embora não se possa garantir 100%, a maioria das crianças com problemas cardíacos podem ter uma vida feliz e um futuro saudável.  


               
     
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